sábado, 14 de março de 2020

Taí a imprensa!


A pandemia do Covid-19 serviu para resgatar a importância da imprensa. Em meio a constantes ataques aos meios de comunicação vindos principalmente do meio político e de ampla maioria do eleitorado que apoia tais pessoas públicas, a mídia séria e responsável foi a principal depositária da confiança da sociedade civil para alimentar-se de informações sérias a respeito do surto que amedronta o planeta.

Ao sentir-se vulnerável diante de uma ameaça que apenas fontes sérias poderiam esclarecer a real situação, a evolução do número de casos que não mais escolhia países ou continentes e as consequências do possível contágio próprio, o cidadão preferiu os principais meios de comunicação ao Twitter ou às redes sociais. Apesar de alguns ainda resistirem a admitir, a checagem das informações advindas de postagens particulares ou suspeitas ocorria junto aos portais de notícias (desta vez) confiáveis.

Interessante a reação popular, pois coloca em xeque a defesa fervorosa de tuitadas “oficiais” ou mensagens disparadas por softwares. Se a mídia é confiável para falar da saúde mundial num contexto caótico e incerto, por que deixa de ser quando o assunto é política ou economia?

Imagine uma pandemia como a que estamos vivendo sem o acompanhamento hercúleo de uma imprensa que vira 24 horas há alguns dias atualizando dados, publicando procedimentos básicos de cuidados higiênicos (enquanto fake news recomendam beber álcool 70° ou parar de tomar sorvete), divulgando notas e medidas oficiais a cada minuto e monitorando o mapa da disseminação no país e no mundo. Imagine todas as mídias em silêncio absoluto nos últimos 60 dias.

Imagine agora uma sociedade democrática sobrevivendo sem uma de suas instituições fundamentais, sem cobrir os mandos e desmandos de qualquer um dos três poderes. Permitindo que Executivo, Legislativo e Judiciário exerçam suas funções da maneira menos republicana possível e que o único acesso que a sociedade civil tenha a tais ações seja por meio das mensagens de cada representante em suas páginas pessoais das redes sociais? Imagine a sanha de poder sem as rédeas de uma imprensa presente, persistente, insistente e resistente.

Ainda que seja necessário rediscutir constantemente o jornalismo, não se faz um país democrático sem uma imprensa livre. Não se cura um planeta sem uma imprensa incansável.

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