A pandemia do Covid-19 serviu
para resgatar a importância da imprensa. Em meio a constantes ataques aos meios
de comunicação vindos principalmente do meio político e de ampla maioria do
eleitorado que apoia tais pessoas públicas, a mídia séria e responsável foi a
principal depositária da confiança da sociedade civil para alimentar-se de
informações sérias a respeito do surto que amedronta o planeta.
Ao sentir-se vulnerável diante de
uma ameaça que apenas fontes sérias poderiam esclarecer a real situação, a
evolução do número de casos que não mais escolhia países ou continentes e as
consequências do possível contágio próprio, o cidadão preferiu os principais
meios de comunicação ao Twitter ou às redes sociais. Apesar de alguns ainda
resistirem a admitir, a checagem das informações advindas de postagens
particulares ou suspeitas ocorria junto aos portais de notícias (desta vez)
confiáveis.
Interessante a reação popular, pois
coloca em xeque a defesa fervorosa de tuitadas “oficiais” ou mensagens
disparadas por softwares. Se a mídia é confiável para falar da saúde mundial num
contexto caótico e incerto, por que deixa de ser quando o assunto é política ou
economia?
Imagine uma pandemia como a que
estamos vivendo sem o acompanhamento hercúleo de uma imprensa que vira 24 horas
há alguns dias atualizando dados, publicando procedimentos básicos de cuidados
higiênicos (enquanto fake news recomendam beber álcool 70° ou parar de
tomar sorvete), divulgando notas e medidas oficiais a cada minuto e monitorando
o mapa da disseminação no país e no mundo. Imagine todas as mídias em silêncio
absoluto nos últimos 60 dias.
Imagine agora uma sociedade
democrática sobrevivendo sem uma de suas instituições fundamentais, sem cobrir
os mandos e desmandos de qualquer um dos três poderes. Permitindo que Executivo,
Legislativo e Judiciário exerçam suas funções da maneira menos republicana
possível e que o único acesso que a sociedade civil tenha a tais ações seja por
meio das mensagens de cada representante em suas páginas pessoais das redes
sociais? Imagine a sanha de poder sem as rédeas de uma imprensa presente,
persistente, insistente e resistente.
Ainda que seja necessário
rediscutir constantemente o jornalismo, não se faz um país democrático sem uma
imprensa livre. Não se cura um planeta sem uma imprensa incansável.
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